A Semana na Imprensa - Livro revela a existência de uma família parisiense que há 200 anos se casa apenas entre si

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A revista L’Obs desta semana dá destaque para o caso de uma família que há mais de dois séculos vive praticamente isolada do mundo exterior. A história dessa comunidade, que segue rígidos preceitos católicos, é tema de um livro que acaba de ser lançado após uma investigação que durou mais de um ano. O livro “Enquete sur La Famille, une mystérieuse communauté religieuse” (“Investigação sobre A Família, uma misteriosa comunidade religiosa”, em tradução livre) é assinado pelo jornalista Etienne Jacob, que se interessou pelo assunto após a revelação da existência dessa família pela imprensa, em junho de 2020. Desde então, ele tentou entender o funcionamento desse grupo que hoje tem entre 3.000 e 4.000 pessoas. Segundo o autor, que foi entrevistado pela revista L’Obs, a saga começou em 1819, quando dois cristãos fundamentalistas decidiram que suas famílias não deveriam se misturar com o restante da população. Adeptos do jansenismo, um movimento teológico que se opõe aos jesuítas, a família defende acima de tudo a endogamia, ou seja, o fato de se relacionar apenas com pessoas do mesmo grupo. Além disso, eles acreditam que François Bonjour, um dos fundadores da família, voltará à terra para salvar suas ovelhas. Segundo eles, esse retorno deve acontecer na rue de Montreuil, uma rua no leste da capital. E, por essa razão, praticamente todos os membros da comunidade moram na mesma região, esperando a volta do mestre. Doenças ligadas à consanguinidade Essa família gigantesca vivia discretamente até que os médicos obstetras do bairro começaram a constatar um aumento de casos de bebês portadores de doenças provocadas pela consanguinidade. Ao mesmo tempo, um dos membros da família, que abandonou a comunidade, fez uma denúncia ao órgão do governo que controla a formação de seitas no país. A partir daí Etienne Jacob começou a sua investigação. O jornalista entrevistou mais de 40 membros da comunidade, muitos deles que deixaram a família ou que foram expulsos quando ousaram se casar com pessoas vindas de fora. “No início dos anos 2000 muitos deixaram o grupo, certamente por causa do desenvolvimento da internet, que tornou mais simples uma abertura para o mundo exterior”, explica o texto. Mas segundo ao autor do livro, para aqueles que permanecem na comunidade, a vida ainda é como há 50 anos. Construídos como uma “micro sociedade machista, centrada na figura paterna heterossexual”, eles cultivam as famílias numerosas e são totalmente contra a homossexualidade”, relata o jornalista nas páginas da L'Obs. Solidariedade e autoritarismo Jacob aponta aspectos positivos, como a noção de solidariedade, já que os membros se ajudam, os idosos vivem com os filhos até a morte e as viúvas são apoiadas por um fundo alimentado pela própria comunidade. Ele também explica que essa família gigante não pode ser considerada uma seita, pelo menos do ponto de vista legal, já que eles não tentam recrutar novos membros, não têm um guru e o grupo não exerce pressão financeira sobre os adeptos. No entanto, dentro dos núcleos familiares o autoritarismo dos pais reina. Além disso, o autor também ressalta os problemas ligados aos inúmeros casamentos entre primos, tios e outros parentes. A família registra um alto índice de pessoas com deficiência auditiva, com déficit intelectual, ou ainda com a síndrome de Bloom. A doença, extremamente rara, e que se manifesta, entre outras características, por uma forma de nanismo, atinge uma em cada um milhão de pessoas. Mas nessa família do leste de Paris entre 20 e 30 membros apresentam as mesmas características, o que é visto com uma possível sequela da consanguinidade. Sem esquecer que o grupo registra índices elevados de jovens que morrem de câncer por falta de tratamento. Pois um dos preceitos seguidos pela comunidade é que “na Família, você deve aceitar a vontade de Deus”.

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